segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

"TONGA DA MIRONGA DO CABULETÊ"


“Essa eu não sabia...

Para o pessoal da antiga, que conhece a música, e para o pessoal mais novo conhecer um pouco de história... Jóia de informação sobre o significado da expressão "na tonga da mironga do cabuletê". Bem próprio do Vinicius de Morais. Eles devem ter rido muito cantando isso! 1970

Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde tinham acabado de inaugurar a parceria com o disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino. Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico” da ditadura militar. A censura em alta, a Bossa em baixa. Opositores ao regime pagando com a liberdade e a vida o preço de seus ideais. O poeta é visto como comunista pela cegueira militar, e ultrapassado pela intelectualidade militante que, pejorativa e injustamente, classifica sua música de "easy music". No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria. Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois. Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que significa “o pêlo do cu da mãe”. O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde-oliva inspiram o poeta. Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la num show no Teatro Castro Alves. Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa. E o poeta ainda se divertia com tudo isso: “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”. _____________________ Fonte: Vinícius de Moraes: o Poeta da Paixão; uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. Veja a letra da inspirada canção da dupla Vinícius e Toquinho”

TONGA DA MIRONGA DO CABULETÊ

Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou Eu saio da fossa, xingando em nagô Você que ouve e não fala Você que olha e não vê Eu vou lhe dar uma pala, Você vai ter que aprender A tonga da mironga do cabuletê! A tonga da mironga do cabuletê! A tonga da mironga do cabuletê!

Você que lê e não sabe, Você que reza e não crê, Você que entra e não cabe, Você vai ter que viver...

Na tonga da mironga do cabuletê! Na tonga da mironga do cabuletê! Na tonga da mironga do cabuletê!

Você que fuma e não traga, E que não paga pra ver, Vou lhe rogar uma praga, Eu vou é mandar você... Pra tonga da mironga do cabuletê! Pra tonga da mironga do cabuletê! Pra tonga da mironga do cabuletê!



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