terça-feira, 28 de dezembro de 2010

poético..

Existe um povo que a bandeira empresta .Pra cobrir tanta infâmia e covardia!... .E deixa-a transformar-se nessa festa .Em manto impuro de bacante fria!... .Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta .Que impudente na gávea tripudia?!... .Silêncio!... Musa! Chora, chora tanto, .Que o pavilhão se lave no teu pranto... . .Auriverde pendão de minha terra, .Que a brisa do Brasil beija e balança, .Estandarte que a luz do sol encerra, .E as promessas divinas da esperança... .Tu, que da Liberdade após a guerra, .Foste hasteado dos heróis na lança, .Antes te houvessem roto na batalha, .Que servires a um povo de mortalha!... . .Fatalidade atroz que a mente esmaga!... .Extingue nesta hora o brigue imundo .O trilho que Colombo abriu na vaga .Como um íris no pélago profundo!... ...Mas é infâmia demais... Da etérea plaga .Levantai-vos, heróis do Novo Mundo... .Andrada! arranca este pendão dos ares!... .Colombo! fecha a porta de teus mares!... . São Paulo, 18 de abril de 1868. . (Castro Alves)


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