domingo, 11 de janeiro de 2009


Hoje o Jornal Diário do Nordeste traz uma série de reportagens muito interessantes sobre a Caatinga e as diversas regiões interioranas do Ceará. Eis apenas a primeira de muitas partes:

Mata Branca
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De origem indígena, a palavra Caatinga significa ´mata branca´, numa alusão à cor da maior parte da vegetação no período de estiagem.

É o bioma brasileiro (conjunto de ecossistemas) mais ameaçado e menos protegido, conforme admitiu o próprio ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na semana que passou, com a promessa de ampliar o número de unidades de conservação de proteção integral e, com isso, conter o processo de desertificação que avança.

ALERTA AMBIENTAL
Bioma é o mais ameaçado

A constatação do Ministério não chega a ser novidade, mas enseja algumas mudanças de postura

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu, essa semana, no lançamento do Mapa das Unidades da Caatinga em Terras Indígenas, que o bioma é um dos mais ameaçados, menos estudados e menos protegidos do País.

Na ocasião, foi assinado um plano de ação entre o Ministério, a Fundação Chico Mendes e a organização não-governamental (ONG) The Nature Conservancy (TNC), para promover a criação e a consolidação de unidades de conservação na Caatinga, a seleção de áreas prioritárias à conservação do bioma e a elaboração da lista de regiões onde serão feitos estudos até dezembro de 2010.

“Eu não quero que daqui a alguns anos o que restou de Caatinga vire deserto”, afirmou, referindo-se ao dado de que 62% das áreas com tendência à desertificação estão em zonas originalmente ocupadas pela Caatinga.

O bioma, exclusivamente brasileiro, ocupa 11% (844.453 quilômetros quadrados) do território nacional, abrangendo parte do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o norte de Minas Gerais. É responsável por riqueza de espécies, com 932 tipos de plantas, 148 mamíferos e 510 aves.

O mapeamento das Unidades de Conservação (UCs) mostrou que, atualmente, 7% da área estão protegidos, mas apenas 1% está em unidades de preservação e reservas indígenas. Os demais 6% fazem parte das Áreas de Proteção Ambiental (APAs). O grande impacto sobre o bioma decorre da extração de lenha para uso doméstico, produção de cerâmica e em siderúrgicas.

Características especiais

De origem indígena, a palavra Caatinga significa “mata branca” ou “floresta branca”, exatamente por ostentar um aspecto esbranquiçado ou mesmo prateado, em virtude da perda das folhas, que ocorre na maioria das espécies, durante o período de estiagem.

Na “mata branca”, plantas e animais apresentam características especiais que lhes permitem adaptação às condições desfavoráveis e, nessa interação, formam um bioma especial e único no planeta.

A cientista florestal alemã Gerda Nickel Maia, autora do livro “Caatinga: árvores e arbustos e suas utilidades”, destaca que ainda se conhece pouco sobre a rede de interações da Caatinga. Mas, uma vez rompida, a estabilidade diminui, o que ocorre quando planta-se uma única espécie (monocultura) em grandes áreas, eliminando as nativas e, com isso, os animais que delas dependem. Isso deixa a espécie em questão vulnerável a pragas e ao solo descoberto, um caminho fácil para a desertificação. Por outro lado, mantendo a biodiversidade, é impressionante como, após longas estiagens, se dá a recuperação das atividades vitais já nas primeiras chuvas. Os outros biomas brasileiros são Amazônia, Cerrado, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica.

Maristela Crispim
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

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